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    TBR: Setembro de 2021

    Vale contar sobre a minha TBR do mês com 25 dias de atraso? Eu geralmente não sou muito boa em determinar e cumprir as TBRs mas esse mês até que está dando certo! Desses livros da foto (que foi tirada no final de agosto) eu só não li um. Acabei substituindo por outros que despertaram meu interesse repentinamente. E já adianto que dois deles ganharam 5 estrelas!

    Em muito breve venho contar quais livros eu li no mês , venho postar algumas resenhas e, talvez, fazer uma TBR para outubro.

    Como estão sendo as leituras de vocês em setembro?

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    Resenha: Moxie

    Livro: Moxie
    Autoria: Jennifer Mathieu
    Tradução: Ana Guadalupe
    Editora: Verus
    Rating: [rating=4]
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    + Exemplar cedido pela editora para resenha


    Sinopse

    Vivian Carter está cansada. Cansada da direção da escola, que nunca acha que os jogadores do time de futebol estão errados. Cansada das regras de vestuário machistas, do assédio nos corredores e dos comentários babacas dos caras durante a aula. Mas, acima de tudo, Viv está cansada de sempre seguir as regras.

    A mãe de Viv era dura na queda, integrante das Riot Grrrls nos anos 90. Inspirada por essas histórias, Viv pega uma página do passado da mãe e cria um fanzine feminista que distribui anonimamente para as colegas da escola. É só um jeito de desabafar, mas as garotas reagem.

    Logo Viv está fazendo amizade com meninas com quem nunca imaginou se relacionar. E então ela percebe que o que começou não é nada menos que uma revolução feminista no colégio.


    Capa & Diagramação

    Eu já queria ler esse livro bem antes de ler a sinopse. A capa cumpre muito bem o papel de chamar a atenção do leitor pela ilustração, pelas cores e pelo significado que o conjunto causa no possível leitor. O trabalho editorial como um todo segue uma continuidade e fiquei encantada com as ilustrações do miolo (incluí algumas fotos para vocês sentirem um gostinho).

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Você pode até discordar mas eu acredito que essa é a melhor época para ser mulher desde que esse planeta é planeta.

    O acesso ao empoderamento feminino era escasso e extremamente incompreendido. Hoje em dia só não lê sobre feminismo quem não quer. E lendo mais sobre o assunto em diversas fontes de diversos formatos as concepções equivocadas sobre o tema se dissolvem. É uma trajetória difícil e lenta mas que já rende muitos frutos.

    “Me ocorre que ser feminista é isso. Não humanista, igualitarista ou sei lá o quê. Feminista. Não é uma palavra feia. A partir de hoje essa talvez seja minha palavra preferida. Porque na verdade é só isso, meninas que apoiam umas às outras e querem ser tratadas como seres humanos num mundo que sempre encontra um jeito de dizer não.”

    Moxie faz parte da rica coleção de materiais que eu tive a oportunidade de fazer uso e que enriqueceu imensamente meu repertório de leituras feministas. Tive a oportunidade de ler/ver várias coisas ultimamente mas Moxie se mostrou como um dos exemplos mais reais e educadores.

    O feminismo nesse livro vem permeado de um enredo rico, personagens bem construídos e um cenário muito verossímil. O livro narra as descobertas de uma adolescente em amadurecimento, seu lugar como filha e como mulher na sociedade. “Descobrir” o feminismo é uma coisa, enxergá-lo a sua volta é outra e lutar para combater o patriarcado é oooooutra completamente diferente.

    “Continuamos marchando, tropeçando nas ameaças do diretor Wilson e nos avisos dos nossos professores. Marchamos porque essas palavras merecem ser pisoteadas. Atropeladas. Reduzidas a pó. Marchamos de All Star e de chinelinho colorido e até de salto alto. Nossas pernas se movem, nossos braços balançam, nossos lábios formam linhas tão retas e tão afiadas que você precisa tomar cuidado para não se cortar.
    Talvez a gente queira que você se corte.”

    O desafio enfrentado por Viv é o que deve inspirar o leitor de Moxie. Cada um, do seu jeito, deve se impor, mesmo que em pequenas atitudes, e ajudar mulheres oprimidas, alertar homens opressores e lutar por um mundo mais igualitário. Minha fala foi super clichê mas juro que o livro não é assim. Ele tem uma “pegada” jovem e leve.

    O elemento coming of age e a relação de Viv com sua mãe é um ingrediente único nessa história. Indico para todos que gostam de livros jovens sem mimimi, que curtem ler sobre feminismo, empoderamento feminino e gostam de histórias inspiradoras.

    Pontos positivos: leitura leve, repleta de empoderamento feminino, traz fatos e situações verossímeis, temática adolescente mas é uma leitura para todas as idades.
    Pontos negativos: se você não curte muito essa história de empoderar as mulheres e lutar por uma sociedade igualitária vai detestar essa leitura. Mas se esse é o caso saiba que a luta das feministas é para que as mulheres tenham os mesmos direitos que já foram garantidos a você desde que nasceu. E que elas não detestam homens, tá? ;)

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    Resenha: O Milagre

    Livro: O Milagre
    Autoria: Emma Donoghue
    Tradução: Vera Ribeiro
    Editora: Verus
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Irlanda, 1859. Anna O’Donnell, de onze anos, se recusa a comer e, apesar disso, sobrevive há meses, aparentemente sem graves consequências físicas. Um milagre, dizem os habitantes do vilarejo profundamente enraizado na fé católica. Mas quando Lib Wright, uma jovem e cética enfermeira inglesa, é contratada para vigiar a menina noite e dia, os acontecimentos seguem um rumo diferente.

    Anna começa a definhar, diante da passividade de todos e da impotência de Lib. E assim cresce o mistério ao redor dessa família pobre de agricultores, que parece envolta em mentiras, promessas e segredos. O que o mundo está testemunhando é uma fraude sofisticada, ou uma revelação do poder divino?

    Escrito com a tensão que fez de Quarto um best-seller mundial, O milagre é uma história sobre duas estranhas que transformam a vida uma da outra, além de um poderoso thriller psicológico e uma narrativa sobre como o amor pode vencer o mal em suas mais diversas formas.


    Capa & Diagramação

    A capa é bem bonita, gosto com as cores se harmonizam e do destaque para a figura da árvore que tem certa importância no livro. Não dá para deduzir nada sobre o enredo pela capa mas mesmo assim acredito que ela cumpre seu papel de atrair o leitor. A diagramação interna é proporciona uma leitura confortável apesar de poucas quebras de capítulos.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Emma Donoghue é autora do livro que deu origem ao filme O Quarto de Jack que é incrível e foi indicado a vários prêmios. Eu não cheguei ter contato com o livro mas ouvi inúmeros elogios quanto à escrita da autora e, após ler a sinopse, me interessei instantaneamente por O Milagre.

    Parece que a autora tem o poder de criar um mistério, um drama e manter o leitor totalmente a sua mercê até que a resolução aconteça.

    A narrativa é contada em terceira pessoa mas as impressões e sensações de Lib nos trazem constantes contrastes entre sua visão inglesa versus visão irlandesa sobre vários aspectos culturais e religiosos. O que ficou mais marcado para mim é o contraste entre o ceticismo da enfermeira e a religiosidade exacerbada encontrada no povoado irlandês também se mostra ao longo de toda leitura. Eu só conseguia imaginar Lib como uma espécie de Mary Poppins, uma cuidadora durona mas com certos traços de amabilidade.

    “— Doutor, a ciência diz-nos que viver sem alimento é impossível.
    — Sim, mas, no início, não serão todas as novas descobertas, na história da civilização, estranhas e excepcionais, quase mágicas?”

    A busca pela resolução do mistério e a agonia de ver uma criança definhando em jejum foram razões que acabaram fazendo com que eu apressasse a leitura. Contudo, os capítulos extremamente longos acabaram por lentificar um pouco a experiência.

    Quando a parte final do enredo se aproxima a leitura ocorre muito rapidamente pois após descobrir o mistério acompanhamos Lib na resolução dele. É aberta uma nova etapa de do desfecho e o fôlego do leitor é renovado.

    Indico para todos os que gostam de um bom mistério e da qualquer livro bem escrito. Consigo imaginar facilmente O Milagre virando um filme de sucesso.

    Pontos positivos: narrativa bem construída e equilibrada.
    Pontos negativos: os capítulos muitos longos lentificam a leitura.

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    Resenha: your name.

    Livro: your name.
    Autoria: Makoto Shinkai
    Tradução: Karen Kazumi Hayashida
    Editora: Verus
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Mitsuha é uma estudante que vive em uma pequena cidade nas montanhas. Apesar de sua vida tranquila, ela sempre se sentiu atraída pelo cotidiano das grandes cidades. Um dia, Mitsuha tem um sonho estranho em que se torna um garoto. No sonho, ela acorda em um quarto que não é dela, tem amigos que nunca viu e passeia por Tóquio. E assim aproveita ao máximo seu dia na cidade grande, onde ela adoraria viver.

    Curiosamente, um estudante chamado Taki, que mora em Tóquio, também tem um sonho estranho: ele é uma garota que mora em uma cidadezinha nas montanhas. Qual é o segredo por trás desses sonhos tão vívidos?
    Assim começa a fascinante história de dois jovens cujos caminhos nunca deveriam ter se cruzado. Compartilhando corpos, relacionamentos e vidas, eles se tornam inextricavelmente ligados ? mas há conexões verdadeiramente indestrutíveis na grande tapeçaria do destino?

    A um só tempo divertido e emocionante, Your name. é uma leitura inspiradora, capaz de dançar sobre o tênue fio entre a realidade, o sonho e o sobrenatural, conforme acompanha as inquietações de uma garota e um garoto determinados a se agarrar um ao outro.


    Capa & Diagramação

    O livro tem um formato menor e é bem fininho (186 páginas). O leitor só descobre o significado de alguns detalhes da capa ao decorrer da leitura. Gosto muito da ilustração e do destaque para o nome do livro. A diagramação interna proporciona uma leitura confortável.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Antes de iniciar a leitura, numa pesquisa rápida, descobri que a obra possui uma versão cinematográfica que, inclusive, é super querida pelo público. Eu não esperava muita coisa do livro até ler vários comentários de pessoas elogiando o filme. Me segurei para não assistir até terminar a leitura (na verdade não assisti até hoje mas estou morrendo de vontade!).

    Apesar dos muitos elogios, comecei a leitura com baixas expectativas, pois o universo dos animes e mangás não me atrai tanto. Eu não tive aquela febre de Pokémon, Cavaleiros dos Zodíaco e Sailor Moon que todo mundo teve. Mas confesso que AMO Sakura Card Captor porque todos os personagens são simplesmente apaixonantes!

    “Musubi é como chamávamos o deus guardião local há muito tempo. “Musubi” significa união. Essa palavra tem um significado profundo. Entrelaçar fios é uma união. Conectar com as pessoas é uma união, e o passar do tempo é uma união. Tudo isso faz parte do poder do deus. Os fios que trançamos são um laço com ele, uma parte do deus. Representam a própria passagem do tempo. Acomodam-se e tomam forma, entrelaçam-se e retorcem-se, às vezes desenredam-se, rompem-se e voltam a se unir. Isso é uma união, isso é o tempo.”

    Mitsuha e Taki são dois jovens que vivem em cidades diferentes, não se conhecem, mas têm “sonhos” em que estão um no corpo do outro. Até este ponto da sinopse, a enredo poderia ser semelhante a muitos outros livros/filmes populares que a gente já cansou de ler/assistir. O desenvolvimento da história, porém, é algo que foge do comum e mistura drama, romance, mistério e muitas lendas japonesas.

    Your Name é um livro curto que começa um pouco lento mas que toma velocidade e intensidade à medida que o enredo progride. A construção dos momentos decisivos e do ápice da história é bem cinematográfica e envolve o leitor na medida certa em cada passagem.

    É uma delícia de leitura, com final satisfatório, um clima de romance profundo porém leve permeados pelo cenário, clima e cultura japoneses. Indico para quem gosta de animes, mangás e/ou para quem gosta de cultura oriental.

    Pontos positivos: enredo bem construído e embebido na cultura japonesa.
    Pontos negativos: quem não gosta de mangá, anime ou cultura japonesa pode não curtir esse livro.

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    Resenha: Ariel

    Livro: Ariel
    Autora: Sylvia Plath
    Tradutores: Cristina Macedo e Rodrigo Garcia Lopes
    Editora: Verus
    Rating: [rating=3]
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    Sinopse

    Com a publicação póstuma do livro de poesia Ariel, em 1965, Sylvia Plath se tornou um nome de destaque na literatura norte-americana. No entanto, o manuscrito de Ariel deixado pela autora quando morreu, em 1963, era diferente do volume de poemas então publicado e mundialmente aclamado.
    Esta edição bilíngue e fac-similar restabelece pela primeira vez a seleção e o arranjo dos poemas exatamente como Sylvia Plath os deixou antes de se suicidar. Além da reprodução dos manuscritos da autora, este volume também inclui os rascunhos completos do poema-título, “Ariel”, oferecendo ao leitor a oportunidade de acompanhar o processo criativo da poeta. Com esta publicação, o legado de Sylvia Plath pode ser reavaliado à luz de seu trabalho original e permanece conforme sua vontade.
    Sylvia Plath conseguiu, em Ariel, transformar em poesia tanto assuntos particulares como eventos históricos trágicos. Seus poemas evidenciam as dores de uma vida traumática, marcada pela morte do pai e pelos conflitos com o marido infiel, e são a prova do talento dessa poeta que, com otimismo ou sofrimento, soube unir técnica e emoção e criar uma obra já clássica.


    Capa & Diagramação

    Gosto da mistura de cores, formas e tipografia utilizadas na capa. Elas não transmitem muito o sentimento geral que tive do livro mas formam uma peça bonita ainda assim. A diagramação interna é muito boa pois traz as traduções do lado direito e a peça original do lado direito.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Desde 2015 tenho sentido a necessidade de inserir a leitura de clássicos entre minhas leituras. Não tenho conseguido ler tantos clássicos e por isso sempre que posso juntar a leitura de destes com as parcerias eu aproveito a oportunidade.

    No mês passado a Grupo Editorial Record ofereceu como opção de solicitação o livro Ariel da Sylvia Plath. Eu não sou uma grande leitora de poesias mas a parceria com as editoras tem me proporcionado leituras ótimas desse gênero que, até então, saia completamente da minha zona de conforto. Plath é muito famosa e era uma das autoras que já tinha me despertado interesse anteriormente.

    A história de vida de Sylvia Plath é famosa por ter sido bem conturbada. Ela se suicidou em 1963 logo após a publicação de seu romance A Redoma de Vidro (que é o mais famoso até hoje) com 30 anos. Três anos depois foi lançado Ariel, uma coletânea de poesias do último ano de vida da autora.

    Ariel é uma coletânea selecionada pela própria autora de poesias escritas no seu último ano de vida. Essa obra é motivo de muita polêmica pois foi editada pelo seu marido e publicada de forma que tudo que pudesse comprometê-lo fosse ocultado.
    A edição da Editora Verus é a publicação sem edições, assim como planejada pela autora, conservando todos os poemas em sua totalidade e na ordem desejada por ela. Além disso, a edição é bilíngue e traz em uma página a poesia em seu idioma original e na página espelhada as traduções.

    Eu, particularmente, não encontrei prazer nessa leitura. Acredito que não tenho conhecimento, prática e “bagagem” suficiente sobre a autora, sobre os assuntos tratados por ela e sobre as possíveis referências trazidas no livro para interpretá-lo de maneira satisfatória.

    “Vazia, ecoo até o mínimo passo,
    Museu sem estátuas, grandioso, com pilares, pórticos, rotundas.
    Em meu pátio uma fonte salta e mergulha em si mesma,
    Casta e cega para o mundo. Lírios de mármore
    Exalam sua palidez feito perfume.”

    Consegui depreender o significado de algumas poucas poesias mais simples mas, na maior parte do tempo, as palavras me pareceram desconexas e não formavam o significado entre as estrofes.

    Apesar de não entender ao pé da letra boa parte das poesias acredito que um dos objetivos da autora foi alcançado, que era o de trazer a atmosfera de dor, depressão, raiva, desesperança e escuridão ao leitor.

    Para quem é fã da autora e/ou gosta das obras que tratam de temas mais sombrios e pesados essa edição de Ariel é perfeita. Acredito que uma leitura feita com algum material de apoio seja a melhor opção para que o leitor possa realmente saborear todas as nuances trazidas por Plath.

    A leitura foi extremamente proveitosa para mim como estudante de tradução. A tradução literária pode submeter o tradutor a muitas armadilhas que só quem tem muita habilidade é capaz de solucionar e os tradutores Rodrigo Garcia Lopes e Cristina Macedo fizeram um ótimo trabalho.

    Pontos positivos: na minha opinião vale a pena ler qualquer clássico e se você gosta de poesia sombria vai gostar dessa obra.
    Pontos negativos: poesia de difícil interpretação, exige pesquisa e leitura extra caso você queira realmente entender.

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    Resenha: O Sorriso da Hiena

    Livro: O Sorriso da Hiena
    Autor: Gustavo Ávila
    Editora: Verus
    Rating: [rating=4]

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    Sinopse

    Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral.
    Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas.
    Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?


    Capa & Diagramação

    A capa reflete muito bem o conteúdo do livro! Só achei que poderia ser um pouco mais macabra para combinar melhor. No mais eu adoro a ilustração, a fonte e as cores. A diagramação interna do livro é limpa com um símbolo na abertura de cada capítulo. A fonte me remete um pouco aqueles documentos policiais que a gente vê em seriados e filme.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    A primeira coisa que você deve saber antes de ler essa resenha é que eu tenho o hábito e ler livros dos quais eu não sei nada a respeito.

    A segunda coisa que você deve saber é que literatura policial não é minha categoria de leitura favorita.

    Tendo essas duas coisas em mente iniciei minha leitura de O Sorriso da Hiena que eu achei se tratar de literatura fantástica e talvez distópica (errei feio!) com o intuito de prestigiar um autor brasileiro. Errei feio na primeira suposição mas acertei em cheio na segunda. É impossível não ser sugado pelos mistérios dessa trama independentemente de ser amante ou não do gênero.

    Que escrita incrível, direta e fluida! O Gustavo Ávila torna a tarefa de recomendar autores brasileiros muito fácil! Os personagens têm a profundidade certa, o enredo tem o número certo tramas para deixar a história dinâmica. Um fator interessante para mim foi o de que as cenas sangrentas foram descritivas o suficientes para me deixar com o estômago na boca mas não ultrapassaram meu limite (lembrando que minha tolerância para cenas nojentas e cruéis não é das mais altas).

    De todos os personagens, o único que não conseguiu me cativar foi o psicólogo William, o que é uma pena pois acredito que alguns aspectos da história me impactariam mais caso eu tivesse me envolvido com a trama que ele participava. Até o assassino me cativou e o William não teve esse poder hehehe!

    Artur Veiga e sua amiga Bete são investigadores e foram os personagens que mais mexeram comigo. E não foi só porque eles eram oo good guys da trama não. Artur tem Síndrome de Asperger que é um ponto que, quando escrito de um jeito honesto, sempre me cativa. Além disso, o autor escreve sobre a rotina dos investigadores de forma crua e real e faz com que o leitor se sinta trabalhando na investigação junto com eles (mesmo sabendo de vários “detalhes” que eles não saibam).

    “A paciência é a característica mais perigosa que um inimigo pode ter.”

    Além de tudo isso, é impossível não se sentir compelido a pensar sobre um questionamento proposto pelo criador da obra: “É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?”.

    O rapaz teve o livro publicado esse ano pela Editora Verus e só ouvi críticas boas com relação a sua obra de estreia. Ouvi também que teve os direitos de adaptação comprados pela TV Globo. Já pensou se eles fizessem uma dessas séries que eles têm feito ultimamente com esse roteiro?!

    Pontos positivos: direto e fluido é um prato cheio para quem gosta do gênero.
    Pontos negativos: pode ser sangrento demais para quem tem tolerância muito baixa.