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    Resenha: Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde

    Livro: Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde
    Autor: Carpinejar
    Editora: Bertrand Brasil
    Rating: [rating=5]
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    Sinopse

    Um livro emocionante sobre família, do autor best-seller Carpinejar. Nesta obra, Carpinejar mergulha em sua própria intimidade ao se lembrar de seus pais. Faz confissões, desabafos sinceros e também aconselha todos aqueles que ainda têm pai e mãe vivos a valorizá-los, tudo isso de maneira poética e verdadeira. A inevitabilidade da morte permeia a obra, com reflexões sobre o que podemos fazer para lidar com ela de modo a torná-la menos dolorosa. O tom de arrependimento também se faz presente, em meio às memórias do autor. Livro emocionante com o qual todos vão se identificar. Inclui texto de orelha do ator Paulo Betti.


    Capa & Diagramação

    O capista desse livro é o Leonardo Iaccarino, o mesmo que fez a capa de Feminismo Em Comum. Eu adoro ambas as capas e acho que o estilo que dá destaque a tipografia chama bastante atenção. Eu gosto mais da frase da parte de trás do livro que da própria capa. Eu facilmente mandaria emoldurar e penduraria na parede. Ele diz assim “Não quero mais ter razão na vida. Só quero ter amor.”. Amo!

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Eu já tinha iniciado a leitura de um livro do Carpinejar que acabei não concluindo, o Amizade Também É Amor. Acho difícil ler os livros mais longos de poesia numa “tacada só” e acabei abandonando a leitura aos poucos. Pretendo terminá-lo em breve.

    No caso de Cuide dos Pais a leitura fluiu de forma muito rápida pois além de ser curto, a fonte é relativamente grande. A dinâmica e a sequência dos poemas também pode ter contribuído para uma leitura mais fluida pois após as passagens mais emocionantes e mais “pesadas” sempre vinha uma mais suave. Num poema a gente chora e no outro a gente seca as lágrimas.

    “Talvez a preparação para a vida seja amar, desamar e amar de novo, não convertendo os dissabores em preconceitos.”

    A morte e a perda já são assuntos muitos difíceis de se abordar e quando se trata da perda dos nossos pais a dificuldade se eleva a níveis estratosféricos. Se você é do tipo sensível saiba que vai chorar da primeira à última página deste livro. Ainda bem que ele é curtinho porque se não a gente se desidrata!

    Apesar de ser um tema de difícil abordagem, Carpinejar é cru e sincero na medida certa. Ele é corajoso de tocar nesse assunto e tem como objetivo te dar uma leve “sacudida” para que você comece a pensar nisso e agir agora para tratar seus pais (e todas as pessoas mais velhas) com amor, dignidade e respeito. A gente pode fazer tantas coisas a mais por eles, muitas vezes coisas tão simples e que, geralmente, só nos damos conta depois que eles partem.

    “Nos despedimos de alguém por fora, pelas palavras, mas demora para nos despedirmos por dentro, pelo silêncio e pela saudade. Demora para nos desapegarmos pelos hábitos e pela rotina. Demora muito tempo para uma ferida encontrar a saída.”

    Quando se trata de ficção eu geralmente não gosto muito de ler dramas porém no campo da não ficção os livros que tratam de perda e morte, apesar de doloridos de ler, me ensinam muito! Nosso cérebro tem essa tendência de evitar assuntos delicados e a leitura é uma ótima maneira de introduzir essas reflexões nas nossas vidas. Eu não fico pensando nesses assuntos sempre mas gosto de tê-los por perto em doses homeopáticas. Acho que nunca estaremos preparados para a morte das pessoas que mais amamos porém eu prefiro já ter pensado nisso do que ser pega de surpresa.

    “Saudade que não é praticada vira ressentimento. Palavra que não é dita se isola no orgulho. Hoje eu vejo o tamanho do meu despreparo.”

    Caso você também queira pensar nisso de vez em quando, eu aconselho a leitura dos livros Para Francisco, Confissões do Crematório (um dos melhores livros que já li na vida!) e um livro um pouco mais pesado no drama mas que também indico é o Sonhe Mais.

    Pontos positivos: é um livro que te faz pensar, que pode provocar mudanças na sua vida e na sua visão de mundo.
    Pontos negativos: quem não lida bem com o assunto de morte pode rejeitar esse livro. Ainda que não dê conta de ler o livro inteiro aconselho que tente pelo menos as primeiras páginas.

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    Resenha: Doce Vingança

    Livro: Doce Vingança
    Autora: Nora Roberts
    Editora: Bertrand Brasil
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Clássico da autora best-seller Nora Roberts relançado com nova capa. Aos 25 anos, Princesa Adrianne vive uma vida que a maioria das pessoas invejaria. Bela e elegante, ela passa os dias ajudando instituições de caridade e as noites indo de um baile de gala para o outro. Mas a imagem de garota rica e mimada não passa de um truque, um movimento friamente calculado para esconder uma verdade perigosa. Há dez anos, Adrianne vive em busca de vingança. Quando criança, só a restava assistir calada a crueldade escondida por trás da fachada de conto de fadas do casamento de seus pais. Agora, ela tem o plano perfeito para fazer seu pai pagar. No entanto, o surgimento de Philip Chamberlain em sua vida, com sua inteligência, seu encanto e seu enigmático carisma, tem tudo para desviá-la de seu objetivo. E então ela se encontrará contra dois homens formidáveis: um com conhecimento para tirar a sua liberdade, o outro com poder de tirar a sua vida.


    Capa & Diagramação

    As capas simples, com fotos misteriosas, boa tipografia e jogo de cores me deixam encantada! Essa capa tem tudo isso! A diagramação do miolo é bem simples e elegante.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Eu ouço falar dessa autora há tanto tempo mas nunca tinha tido a oportunidade de ler alguma obra dela. De início eu achava que não era para mim pois as capas dos livros não me chamavam atenção. Eu nem chegava a ler a sinopse.

    Mas daí o nome dela aparece constantemente nos blogs literários e no booktube. Além de ela escrever muito, seus títulos sempre agradam os amantes de romance. Foi quando a Bertrand Brasil resolveu relançar Doce Vingança nessa capa linda que eu me acabei lendo a sinopse e me interessando muito!

    A leitura teve vários altos e baixos para mim. A primeira fase da história parece um conto de fadas e daí o leitor já sente aquele frio no estômago porque quanto melhor vão as coisas mais sofrimento elas vão causar quando derem errado.

    “Você está metida nisso não apenas porque odeia seu pai, mas também porque amava sua mãe. Talvez mais por amor. E eu vim porque tudo o que você é e sente se tornou importante para mim.”

    E deu errado mesmo (calma que não vou dar spoiler)! Eu fico super dividida quando a proposta de um livro/filme envolve vingança. É claro que a autor defende muito bem os motivos da personagem principal em desejar isso mas eu sempre prego o amor, a tolerância e o perdão acima de tudo. Papo clichê, eu sei, mas sempre sinto um leve incomodo quando vejo até onde esses personagens levam essa vontade. Acho que é super fácil perder o tom e virar aqueles plots exagerados de novela das oito.

    Ainda assim, tentei deixar tudo que eu acredito para trás (só enquanto eu lia tá gente) para aproveitar essa leitura o máximo que eu conseguia. Nem foi difícil porque a escrita de Nora Roberts é realmente boa, envolvente e faz jus ao tanto que os leitores elogiam.

    A autora sabe criar bons personagens que conquistam os leitores com charme e humor, sabe envolver com um ótimo cenário de luxo e glamour, sabe enganar, criar reviravoltas que ninguém consegue prever e sabe fazer o leitor se apaixonar com tudo isso!

    Pelo que pesquisei, esse não é o livro de maior destaque da autora e digo que, para mim, foi um livro ok. Foi um bom entretenimento mas não foi um livro memorável. Ainda assim aconselho a leitura para quem gosta de romance de qualidade.

    Pontos positivos: leitura fluida, personagens e cenários bem construídos.
    Pontos negativos: mais longo do que é necessário.

  • livros

    Resenha: Um Reino de Sonhos

    Livro: Um Reino de Sonhos
    Autora: Judith McNaught
    Editora: Bertrand Brasil
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Royce Westmoreland, o “Lobo Negro”, é enviado pelo rei da Inglaterra para invadir a Escócia. Quando seu irmão, Stefan, sequestra Jennifer e Brenna Merrick, filhas de um lorde escocês, do convento onde vivem, as vidas de Royce e Jennifer se entrelaçam. Ele, um poderoso guerreiro que já ganhou muitas batalhas, não vê a hora de encontrar uma mulher que o amará pelo homem que é, não pelo medo inspirado por sua lenda. Ela, uma jovem rebelde em busca do amor e da aceitação de seu clã, mesmo na condição de prisioneira, não se deixa abalar pela fama de seu arrogante captor.
    Conforme os conflitos entre os dois se tornam mais frequentes, a urgência de se entregarem um ao outro só aumenta. Certa noite, quando ele a toma apaixonadamente nos braços, desperta nela um desejo irresistível. Mas, se Jennifer seguir seu coração, perderá tudo aquilo pelo que vem lutando e jurou honrar.


    Capa & Diagramação

    Eu adoro as cores escolhidas para compor essa capa e, pelo que observo na minha estante, elas não são muito comuns. O padrão de capa é bem parecido com os utilizados nos romances épicos atualmente e não me chama muita atenção. Gostaria que incluísse algum elemento de paisagem ao invés dos arabescos. A diagramação interna é limpa de leitura confortável.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Eu ando um pouco decepcionada com os últimos romances de época que tenho lido. Eles parecem ser sempre mais do mesmo. Eu até me divirto mas bate aquela sensação de que o autor não fez esforço para surpreender o leitor. A sensação de que podia ser muito mais do que é. Entendo que tem muito a ver com o mercado editorial, mas mesmo assim sinto falta de algo que siga menos o padrão já exaustivamente explorado.

    Achei que Um Reino de Sonhos cairia nessa categoria mas resolvi investir pois gosto da ambientação escocesa. Eu nunca tinha ouvido falar dessa autora e, depois de pesquisar bem rapidamente, descobri que ela é bem conhecida e já escreveu várias obras bem populares.

    O livro foge de todos os clichês e de tudo que eu considero um lugar comum dos livros que citei anteriormente. A estrutura de enredo, a construção dos personagens e seu desenvolvimento, o ápice e o desfecho da obra não se parecem em nada com os romances épicos mais populares de hoje.

    “Royce estava surpreso em ver o desprezo velado nos olhos azuis voltados de forma desafiadora para os dele. Desprezo, e não um rastro de lágrimas. De repente, lembrou-se do que ouvira falar sobre a filha mais velha de Merrick. A caçula era conhecida como a “Joia da Escócia”, mas segundo a lenda a mais velha era uma herdeira fria e orgulhosa com um dote tão grande e uma linhagem tão nobre que nenhum homem estava ao seu alcance.”

    Além da cultura escocesa que permeia o enredo e que eu amo, já gostei logo de cara da relação entre Royce e Jennifer. Ambos era muito diferentes e a autora poderia ter escolhido inúmeras maneiras previsíveis de desenvolver a história dos dois porém ela nos surpreende a cada página. Entre golpes, disputa por poder, orgulho e algumas aventuras a narrativa conta uma história de amor que vence várias batalhas e inspira o leitor a cada capítulo.

    A Jennifer é uma personagem incrível que tem que lidar com problemas familiares, conflitos em seu clã e outras situações bem delicadas. Ela é forte e frágil, durona e delicada e toda a construção e desenvolvimento dessa personagem resultou numa trajetória bem orgânica e realista.

    Por essa e por outras razões eu digo que mesmo se você não gosta dos romances épicos de hoje pode investir nesse. Digamos que ele está mais para Outlander do que para os livros da Julia Quinn. Falando em Outlander, sinto que a Jennifer seria bff da Claire! As duas são bem parecidas! Deve ser por isso que eu já gostei dela logo de cara.

    Pontos positivos: personagens bem construídos e desenvolvidos, boas reviravoltas, enredo diferente dos enredos mais comuns do mesmo gênero.
    Pontos negativos: você pode não gostar caso não goste de romances épicos e ambientação escocesa.

  • livros

    Resenha: O Clube de Escrita de Jane Austen

    Livro: O Clube de Escrita de Jane Austen
    Autora: Rebecca Smith
    Editora: Bertrand Brasil
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Jane Austen é uma das escritoras mais amadas do cânone literário inglês. Seus romances mudaram os rumos da ficção para sempre, e sua escrita permanece tão fresca, divertida e espirituosa quanto nos dias em que foram publicados. Repleto de exercícios úteis, belas ilustrações e citações esclarecedoras dos romances e das cartas da autora, este livro ensinará seus métodos, dicas e truques, a partir de técnicas de planejamento e caracterização para diálogo e suspense. Seja você um entusiasta da escrita criativa às vésperas de publicar seu primeiro romance, um professor em busca de mais inspiração para suas aulas, ou um curioso à procura de informações sobre os rituais diários de Austen, este é um companheiro essencial, garantido para satisfazer, informar e deliciar.


    Capa & Diagramação

    Essa capa é uma das mais linda da minha estante! A estética da capa e o interior do livro trazem muito da delicadeza e do romantismo das obras da autora. A diagramação do miolo é muito boa! O livro contém muitos boxes, bilhetes, cartas e ilustrações.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    O Clube de Escrita de Jane Austen é um guia para escritores escrito por Rebecca Smith, professora de escrita criativa e sobrinha-neta de quinto grau da escritora inglesa.

    Rebecca utiliza de exemplos e materiais recolhidos por meio de pesquisa extensa da vida de Austen para ajudar escritores na tarefa de produzir livros melhores. Ao decorrer da leitura ela aborda temas como criação de enredos, cenários, desenvolvimento de personagens e diálogos, utilizando como pontos de referência as obras de Austen.

    “As palavras faladas pelas personagens femininas de Jane Austen são tão reveladoras porque ela escrevia numa época em que a capacidade de atuação das mulheres era fortemente restringida. As palavras das mulheres, por conta disso, muitas vezes tinham de falar mais alto do que suas ações. Naturalmente, algumas mulheres – aquelas mais ricas, mais poderosas e mais confiantes do que a maioria – eram relativamente livres para fazer o que quisessem.”

    É impossível não se sentir próximo a Jane Austen, pois o livro traz à tona muito da vida pessoal da autora enquanto a maior parte de nós só a conhece por meio de suas obras. Parece que Austen era uma fofa! Ela escreveu várias cartas e bilhetes com conselhos literários aos seus sobrinhos e primos que tinham a escrita como aspiração.

    O livro é indispensável para escritores ou para quem pensa em escrever um dia. Eu não tenho a intenção de escrever nada (ainda) mas sinto que me beneficiei com a leitura, pois consigo identificar melhor o esforço, as artimanhas e os talentos de um autor. Porém, confesso que a leitura foi arrastada já eu não sou parte do público-alvo.

    Quem é fã da autora pode gostar dessa sensação de estar mais próximo dela e saber mais sobre Austen como escritora e pessoa. É um delícia ler a opinião da autora de vários clássicos sobre aspectos da escrita em suas próprias palavras. Contudo, saiba que a obra não é romance e carrega um caráter bem técnico em relação à escrita.

    “Ironia é a base da obra de Jane Austen. Há ironia no tom de narração, ironia verbal, ironia nas situações dos personagens e ironia dramática. O uso que ela faz da ironia constrói uma relação entre a autora e o leitor e entre o leitor e os personagens. Jane Austen dá aos leitores o crédito da inteligência para compreenderem o que está acontecendo, para captarem as piadas e entenderem as emoções e os predicados de seus personagens sem que as coisas sejam colocadas de maneira óbvia.”

    Austen morreu há mais 200 anos e é incrível como suas obras ainda têm grande relevância na literatura mundial. Apesar de ter levado alguns spoilers de obras que eu ainda não havia lido quero dar continuidade ao meu projeto de ler mais livros dessa autora. Quais livros da Jane Austen vocês já leram? Vocês escrevem ou pretendem escrever um dia?

    Pontos positivos: é um tesouro para escritores e para quem pretende escrever um dia, além de ser uma peça gráfica lindíssima!
    Pontos negativos: público-alvo restrito. Pode não ser uma leitura interessante caso você não escreva ou não pretenda escrever.

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    Resenha: Entre as Estrelas

    Livro: Entre as Estrelas
    Autora: Katie Khan
    Editora: Bertrand Brasil
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Um romance futurista surpreendente sobre o impacto do primeiro amor e como nossas escolhas podem mudar o destino de todos ao nosso redor. Perfeito para os fãs Um Dia e Gravidade.

    Num futuro não muito distante, após a aniquilação dos Estados Unidos e do Oriente Médio, a Europa nada mais é que uma utopia na qual, a cada três anos, a população se muda para uma nova comunidade multicultural.

    Em um desses paraísos, Max conhece Carys, e é amor à primeira vista. Ele logo percebe que Carys é a pessoa com quem deseja passar o resto da vida – uma decisão impossível nesse novo mundo.

    Conforme o relacionamento dos dois se desenvolve, a conexão entre o tempo deles na Terra e o dilema atual no espaço vai sendo revelado. À deriva entre as estrelas, com apenas noventa minutos de oxigênio, eles concluem que só um deles tem a chance de sobreviver. Mas quem?


    Capa & Diagramação

    Acertaram muito no projeto gráfico desse livro! Aprovei tudo! Cores, fontes, ilustrações e alinhamentos. O diagramação do miolo é bem normalzinha, com muita áreas de respiro e papel poroso.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Entre as Estrelas conta a trajetória de Max e Cary que é contada com capítulos alternados entre o presente e o passado. No presente os dois estão em queda livre no espaço, com noventa minutos de oxigênio e poucas chances de sobreviver. A história de como eles acabaram nessa situação vai sendo contado ao longo do livro.

    Eu até agora não decidi se esse esquema de intercalar capítulos do passado com capítulos do presente é uma boa. Acho que na maior parte agrega muito para o ritmo da história e, geralmente, a gente passa as páginas muito mais rápido para tentar suprir a curiosidade rápido. No caso desse livro eu achei que, algumas vezes, os capítulos do presente encheram um pouco de linguiça. Foi legal porque mostra a luta incansável deles para tentar achar soluções para sobreviver. Acho que eu não curti muito porque focava justamente na parte do enredo que não me atrai muito, esse lance de estar no espaço (acho chato!).

    No universo de Entre as Estrelas a Terra foi devastada por uma guerra entre os Estados Unidos e os Países Árabes, o que levou a União Europeia (chamada de Europia no livro) a fechar suas fronteiras, criando novas regras e uma nova política de funcionamento da sociedade. Tudo que não era Europia ficou na miséria e somente a Europia conseguiu se reconstruir.

    “Todo mundo morre um dia, e essa ameaça faz a vida valer a pena.”

    Mas para viver na Europia os cidadãos têm que seguir certas regras. Os países são chamados de Voivodas e são numerados. Cada pessoa só pode residir em cada Voivoda por 3 anos. As novas regras são focadas no individualismo, sem raízes, sem laços familiares ou amorosos. Os namoros e casamentos só são permitidos na idade madura (depois dos 30 se não me engano). A nova ordem defende que vivendo assim o cidadão conhecerá várias culturas, não terá preconceitos nem laços que foram a origem dos conflitos anteriores.

    Max vive super bem com as regras e até é descendente de uma das famílias que criou a nova ordem. Cary, por outro lado, sente falta da família e de laços mais estreitos com as pessoas. Quando eles se encontram e se envolvem, têm que aprender a lidar com tudo isso e um com o outro.

    O que eu achei mega fantástico nesse livro é que ele planta uma sementinha pra gente pensar em como são as relações amorosas hoje e qual será o modelo de relação no futuro (talvez bem próximo até!). Essa sementinha gera outros ramos de questionamentos sobre conhecer e aceitar outras culturas diminuiria os conflitos do mundo?

    Esse livro demorou a engatar pra mim. Eu não sou muito da temática sci-fi mas acho que existem histórias muito boas contadas nessa temática. Eu amei o que a autora escolheu fazer com o final. Foi lindo, poético e inesperado. É um romance de encher o coração, para os amantes de sci-fi ou não.

    Pontos positivos: dinâmico, inspirador e de rápida leitura.
    Pontos negativos: os capítulos alternados entre passado e presente quebram o ritmo e ajudam a leitura a fluir ao mesmo tempo. Epa! Isso nem é um defeito!

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    Resenha: O Espelho Secreto

    Livro: O Espelho Secreto
    Autora: M.J. Putney
    Editora: Bertrand Brasil
    Rating: [rating=2]
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    Sinopse

    Aos 16 anos, Lady Victoria Mansfield, Tory, a caçula do conde e da condessa de Fairmount, tem por destino uma vida encantadora e uma gama de pretendentes à sua altura. Até que uma assustadora descoberta ameaça arruinar sua vida e denegrir o nome de sua família para sempre: seu sangue está contaminado… por magia. Quando um terrível acidente obriga Tory a revelar seus poderes mágicos, ela é imediatamente exilada para a Abadia de Lackland — um reformatório para jovens de sua posição social que também carregam o terrível dom da magia. O maior desejo da garota é ser curada, voltar para casa e, talvez, recuperar um pouco de sua vida despedaçada. Em vez disso, porém, a curiosidade e a atração pela magia levam a jovem a se unir a alunos rebeldes, que resolveram usar seus poderes mágicos para proteger a Inglaterra.


    Capa & Diagramação

    Adoro essa capa! Gosto da mistura entre as cores, a ilustração da personagem principal e da maneira como parece que o título brilha. A diagramação interna é bem simples e limpa.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    O Espelho Secreto junta três temas que eu adoro: magia, história inglesa e ambiente escolar. Porém a prática da magia, da maneira como a autora decidiu abordar, limita a história a uma certa monotonia. O problema não é o estilo de magia que a autora resolveu desenvolver no livro (um estilo mais introspectivo e menos “mão na massa”) mas sim a maneira como ela escolheu explorá-la. Achei super legal a questão de a magia poder ser trabalhada em grupo e muitas vezes potencializadas por isso.

    O universo criado Putney é bem interessante e tem um potencial enorme. A questão da proibição da magia combinada com o ambiente escolar desses jovens que ficam isolados de suas famílias poderia render inúmeras aventuras e uma trajetória de amadurecimento bem legal aos personagens.

    A narrativa tem uma característica mais direta e pouco descritiva. O foco está sempre nas ações não explorando muito as camadas existentes por trás delas.

    Mas eu sinceramente não acredito que por ser um livro juvenil ele deva ser pobre em complexidade. A construção dos personagens e a consolidação do enredo é bem simplista. Parece que a autora teve medo de mergulhar de cabeça nas propostas que ela tinha inicialmente.

    “- A diferença entre um dom e uma maldição poder ser como você se sente a respeito dele. A maior parte dos magos sentem que os poderes enriquecem suas vidas, portanto, para eles, é um dom. Muitos invejariam suas habilidades.”

    Infelizmente, os pontos-chaves do livro são um pouco previsíveis e os conflitos são resolvidos de forma bem simples. Achei que a construção do roteiro, a apresentação do universo e dos personagens, apresentação da problemática, desenvolvimento do conflito, ápice da história e sua resolução aconteceram de forma pouco orgânica. A todo momento eu percebia os “movimentos” que a autora queria fazer e adivinhava qual era a próxima “jogada”.

    Eu diria que trata-se de literatura juvenil para o público que acaba de ingressar na faixa etária do público-alvo. O público que leu menos livros e não tem tanta experiência literária nesse estilo pode se beneficiar mais dessa leitura dos que os “macacos velhos” de literatura fantástica.

    Pontos positivos: mistura um universo mágico e a história inglesa.
    Pontos negativos: muito simplista e raso.