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    Resenha: A Princesa Branca

    Livro: A Princesa Branca
    Autora: Philippa Gregory
    Editora: Record
    Rating: [rating=5]
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    + Exemplar cedido pela editora para resenha


    Sinopse

    Quando Henrique Tudor conquista a coroa da Inglaterra na Batalha de Bosworth, ele sabe que terá de se casar com a princesa da casa inimiga, Elizabeth de York. Essa é a única maneira de unificar um reino que, há quase duas décadas, está dividido pela guerra. Sua noiva, porém, ainda é apaixonada pelo homem que foi seu grande inimigo, Ricardo III, e a mãe dela, assim como grande parte da Inglaterra, sonha com a volta triunfante de um herdeiro desaparecido da Casa de York.
    Além dos limites da Inglaterra, um dos maiores temores do rei – perder a coroa que roubou de Ricardo III – pode estar ganhando forças. Um homem misterioso está reunindo um grande exército. Ele alega ser irmão da nova rainha e o verdadeiro herdeiro do trono. Mas será que ele é mesmo o filho perdido da Rainha Branca, ou apenas um impostor?
    Quando os avanços do seu suposto irmão começam a assombrar o reino, a rainha Elizabeth se vê diante de um grande dilema: Tudor ou York, quem ela irá defender? Ficará a rainha ao lado de seu marido, a quem está aprendendo a amar, ou do jovem que afirma ser seu querido irmão desaparecido?


    Capa & Diagramação

    Eu gosto bastante do padrão de capas dessa série. Sai do óbvio, é bem marcante e diferencia os livros da Philippa de romances épicos. A diagramação interna é limpa e proporciona uma leitura confortável.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Em abril eu tive a oportunidade de ler A Rainha Domada que foi, de longe, o melhor livro que eu li esse ano. A autora consegue suprir duas necessidades que eu tinha há bastante tempo: aprender história e ler boas ficções ambientadas na Inglaterra. Depois da primeira leitura fiquei sedenta por mais livros dela e descobri que Philippa já escreveu bastante. Meus olhos brilharam e minha wishlist na Amazon aumentou consideravelmente. Para saber mais sobre meu encantamento com A Rainha Domada vide a resenha (na íntegra no blog e parcial no instagram).

    A intenção inicial era pegar o primeiro livro da primeira série e fazer a leitura em sequência para que todos os pedaços históricos se encaixassem e fizessem sentido para mim. Mas a Editora Record lançou, em agosto, A Princesa Branca e eu não resisti. Esse é o quinto livro na ordem cronológica da coleção de obras da autora e conta a história de Elizabeth de York que nada mais foi que a mãe de Henrique VII (aquele cabuloso que teve seis esposas e que rompeu as relações com a Igreja Católica criando a Igreja Anglicana).

    Henrique VII foi, no geral, um otário mas enxergar sua história pela perspectiva de suas esposas me encanta. Até onde sei, pude perceber que todas elas são muito diferentes umas das outras porém todas foram mulheres incríveis e muito fortes. Esse paralelo também pode ser feito com Elizabeth de York, a mãe de Henrique VII. Vivendo em um tempo em que a mulher não tinha voz na sociedade e tinha como obrigações agradar ao marido, procriar e gerenciar eventos no castelo, essas mulheres tinham que se defender e lutar pelo que acreditavam nas sombras e com muita discrição.

    Mais uma vez pude perceber o enorme compromisso e a grande preocupação de Philippa Gregory com a relação a fidelidade aos fatos. Ela insere ficção sem modificar os fatos históricos e ambos se mesclam de forma harmônica. Um bom exemplo disso é o comportamento de Elizabeth. No livro ela não tem muito espaço para enfrentar as dificuldades impostas a ela. Muitas vezes Elizabeth se vê impotente e conformada com algo que ela, como mulher, naquela sociedade e naquele tempo não tinha capacidade e força para mudar. Ela foi, nada mais nada menos, que um joguete, sem opções e sem capacidade de escolha para nada.

    “Mas ela me ensinou que não há nada no mundo mais poderoso do que uma mulher que sabe o que quer e não se desvia do seu caminho para consegui-lo.”

    Em contrapartida, assisti série (que nem fez muito sucesso) de mesmo nome baseada no livro. Na série Elizabeth é mais desafiadora e tem mais voz. Apesar de ser mais reconfortante assistir a uma mulher lutando pelos seus direitos e ideais, ao pesquisar mais sobre a vida da figura histórica fica muito evidente que a versão mais fiel é a do livro e a série construiu uma personagem que tem mais a ver com o que o público quer ver hoje.

    Ainda que a vida de Elizabeth de York a tenha impedido de executar grandes feitos ela deixou sua marca na história como uma filha amorosa, mãe carinhosa e mulher serena, equilibrada e tolerante, que lidou com todas as barbaridades que lhe foram impostas da melhor maneira que pode. Não acho que ela ficaria muito feliz em saber do caos que seu filho Henrique VII causou nesta Terra.

    O livro não foi melhor que A Rainha Domada (qual será que vai tirar este reinado do meu coração?) mas foi sem dúvida uma das melhores leituras do ano. Quero ler TODOS os livros dessa autora! Virou quase uma obsessão!

    Pontos positivos: ótimo para aprender história pois o livro é muito embasado nos fatos reais.
    Pontos negativos: quem não gosta de romance e/ou história pode achar a leitura monótona.

  • livros

    Resenha: Liberdade

    Livro: Liberdade
    Autora: Andrea Portes
    Editora: Galera Record
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Paige Nolan é uma jovem fora do comum: fluente em vários idiomas, faixa preta em diversas categorias de luta e dividida entre três namorados. Mas ela também tem um lado cínico.

    Afinal, seus pais são ativistas pelos direitos humanos, jornalistas acostumados a denunciar ditadores e coisas do tipo. Por isso mesmo, ela devia saber que bancar a heroína em uma lanchonete no meio do nada ia acabar mal.

    Agora, ela está sendo cortejada por uma agência de espionagem ultraconfidencial. A missão? Resgatar Sean Raynes, um dos heróis de Paige. Ciente dos interesses ocultos de governos e corporações mundiais, dificilmente ela gostaria de trazer do exílio o homem responsável por expor as técnicas inconstitucionais de espionagem usadas pelo governo norte-americano.

    O problema é que a agência — e o espião supergato Madden Carter — tem informações privilegiadas sobre os pais da garota, que ela acreditava terem morrido no interior da Turquia.


    Capa & Diagramação

    Não se deixe enganar por essa capa pois esse livro não é fofo e coloridinho como aparenta ser. O humor é divertido e ácido e não tem caráter infantil. Adoro a capa apesar de achar que não tem muito a ver com o conteúdo do livro. A diagramação interna é limpa e proporciona uma leitura confortável.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Eu e o humor temos uma relação muito delicada. Eu gosto de humor mas pouquíssimos materiais (filmes/séries/livros) dessa categoria realmente me cativam. No campo literário o único desse estilo que foi capaz de me entreter foi Lemony Snicket. Qual não foi a minha surpresa em perceber que Andrea Portes traz em Liberdade algo muito próximo da escrita do autor?! Acho a escrita dele tão singular que eu sinceramente não achei possível encontrar algo similar.

    Portanto, livre-se da ideia de que essa capa colorida, fofa e delicada conta uma história que possa ser adjetivada dessa forma. O enredo na verdade, se eu for te contar aqui, vai te fazer duvidar da sanidade mental da autora. Mas quando a gente lê as coisas vão acontecendo e fazendo certo sentido.

    “Além disso não consigo decidir se estou mais excitada em jantar amanhã à noite com o inimigo público número um da América em um restaurante inspirado na Cisjordânia, ou contar a Madden que vou jantar amanhã à noite com o inimigo público número um da América em um restaurante inspirado na Cisjordânia.”

    Os capítulos são muito curtos e isso faz com que a leitura flua muito bem. Além de uma fluidez como poucas vezes já li, as piadas curtas e inteligentes, as inúmeras referências à cultura pop e o diálogo constante da personagem com o leitor faz com que o ritmo de leitura seja muito acelerado.

    Algumas coisas me incomodaram um pouco nessa leitura. O plot principal que era a necessidade de saber o que aconteceu com seus pais foi totalmente esquecido durante a maior parte do livro. Alguns aspectos apresentados no início não se resolveram no final do livro e, ao pesquisar, não encontrei nenhuma informação sobre uma continuação.

    Apesar das pendências, há tempos não me divirto tanto com um livro leve, gostoso, sagaz e engraçado na medida certa. Recomendo a todos os tipos de leitores que querem uma leitura descontraída e inteligente!

    Pontos positivos: humor inteligente, rápido e gostoso de ler.
    Pontos negativos: alguns fatos não tiveram sua conclusão nesse livro.

  • livros

    Resenha: Terra das Mulheres

    Livro: Terra das Mulheres
    Autora: Charlotte Perkins Gilman
    Editora: Rosa dos Tempos
    Rating: [rating=5]
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    Sinopse

    Publicado pela primeira vez em 1915, Terra das mulheres mostra como seria uma sociedade utópica composta unicamente por mulheres.
    Antes do leitor encontrar a suposta maravilha dessa utopia, terá de acompanhar três exploradores — Van, o narrador; o doce Jeff; e Terry, o machão — e suas considerações e devaneios sobre o país, no qual, os três têm a certeza de que também existem homens, ainda que isolados e convocados apenas para fins de reprodução. Um país só de mulheres, segundo os três, seria caótico, selvagem, subdesenvolvido, inviável.
    Uma vez lá, Van, Jeff e Terry se dividem entre a curiosidade de exploradores com fins científicos e o impulso dominador de um homem, oscilando entre tentar entender mais sobre aquela utópica e desconhecida sociedade e o sonho de um harém repleto de mulheres que talvez estejam dispostas a satisfazê-los e servi-los.


    Capa & Diagramação

    Adoro essa capa que faz uma adaptação de uma obra de Gustav Klimt. Gosto da repetição, da uniformidade das imagens e das cores. pois reflete muito do conteúdo do livro. A diagramação interna proporciona uma leitura bem confortável e traz um formato diferente de abertura de capítulo. O número e o título do capítulo sempre vêm isolados na página da esquerda. Gostei muito desse arranjo fora do padrão que se tornado uma constante nos títulos da Rosa dos Tempos.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    O livro foi publicado em 1915 e, segundo reza a lenda, serviu de inspiração para o universo da Mulher Maravilha. Eu devorei o livro assim que o tive em mãos porém demorei horrores para escrever a resenha porque tenho uma enorme dificuldade de escrever sobre livros que gosto muito.

    Além de ter uma escrita super gostosa, que passa voando, a obra traz questionamento após questionamento sobre a nossa sociedade e sobre o papel dos gêneros nela. O livro foi escrito há mais de anos mas parece que foi escrito ontem! A escrita é muito acessível e a obra é relativamente curta.

    “Toda a devoção e renúncia que nossas mulheres dedicavam às suas famílias em particular, essas mulheres ofereciam ao seu país e à sua raça. Toda a lealdade e o trabalho que os homens esperavam de suas esposas, elas ofereciam, não apenas a homens, mas coletivamente umas às outras.”

    Criando três estereótipos diferentes de homens que chegam a Terra das Mulheres, Charlotte Perkins Gilman consegue fazer emergir, de maneira clara e direta, vários questionamentos sobre a nossa própria sociedade. Terry é o galanteador garanhão e acredita que os homens dominam as mulheres, Jeff as idealiza como seres puros e angelicais e Van, o narrador, fica no meio-termo entre os dois. Ele tem uma visão mais crítica e ponderada.

    Os questionamentos trazidos pelo contato dos três com a nova terra dizem respeito à violência, organização estrutural da sociedade, hábitos, ao papel de cada pessoa na sociedade e etc. É muito conteúdo despejado de uma maneira simples e sem soar como crítica excessiva ou agressiva.

    Ao decorrer da história os homens vão revelando (de modo comedido e envergonhado) como funciona a sociedade deles e as mulheres contam como é o funcionamento da terra delas. São como aliens ou crianças entrando em contato com convenções sociais e as questionando.

    “A tradição de homens como guardiões e protetores tinha desaparecido. Essas vigorosas virgens não tinham nenhum homem a quem temer, portanto não precisavam de proteção.”

    Acredito que estamos em um momento perfeito para conversar sobre esse livro, pois muito tem se falado sobre o papel da mulher na sociedade e o livro extrapola um pouco essa questão (pois não dá para separar uma coisa da outra) para conversar sobre como nossa sociedade foi moldada pela patriarcado. Esse tema traz uma ramificação enorme de discussões e, a que eu mais gostei abordada pela autora, foi a questão da violência.

    É um livro que eu pretendo reler em breve (eu queria marcar o livro inteiro e deixei algumas coisas passarem) e espero que, com o seu relançamento, mais e mais pessoas falem sobre ele e sobre os milhares de temas que borbulham de dentro da obra. Foi, sem dúvida, uma das melhores leituras do ano.

    Pontos positivos: leitura rápida, escrita simples, tema relevante que abre espaço para muita discussão e reflexão.
    Pontos negativos: se você não simpatiza com o feminismo não vai curtir esse livro.

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    Resenha: A Mulher na Janela

    Livro: A Mulher na Janela
    Autor: A. J. Finn
    Editora: Arqueiro
    Rating: [rating=4]
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    Sinopse

    Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. “A Mulher Na Janela” é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.


    Capa & Diagramação

    A capa é muito inteligente! A mistura de cores traz uma sobriedade, a tipografia vermelha chama muita atenção e as linhas simulam alguém espiando pela cortina. Tudo isso foi representado sem fotos e sem ilustrações de pessoas. A diagramação interna é bem bonita e possibilita uma leitura confortável.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Eu abomino spoilers e todas as minhas resenhas são feitas de forma a não revelar nada que possa estragar a experiência dos leitores. No caso dessa resenha em particular registrei minhas impressões mas fui ainda mais evasiva porque o elemento surpresa é essencial nessa obra.

    Eu não sou uma leitora com ampla experiência em thrillers pois não é, nem de longe, minha categoria literária favorita. Mas acredito que alguns livros se destacam tanto que todo leitor, confortável ou não com o gênero, deveria ler. Alguns livros simplesmente valem a pena e ponto!

    Depois de ouvir todo mundo e mais alguém exaltar esse livro, amantes de thriller, amantes de YA, amantes de romances épicos e etc, eu pude ver que A Mulher na Janela era um desses livros feitos para TODO leitor.

    É por isso que eu demorei um pouco para falar dessa obra. Eu acabei solicitando o livro depois que o hype já estava no ápice e muita gente já tinha falado dele. A curiosidade estava me matando! Recebi o livro bem na época da Bienal e ver que o autor foi um fofo com todo mundo só me fez passar essa leitura na frente de todas as outras.

    “Qual será o problema dessa casa? É nela que o amor se instala para morrer.”

    Como não sou a leitora mais experiente na área, eu nunca acho que vou decifrar o final do livro antes que ele aconteça. Acredito que se o autor dá uma dica é para que ela te leve a pensar em outra coisa. Os autores de thrillers são ardilosos e eu sempre caio na deles.

    Eu nunca me sinto no controle durante uma leitura de thriller e é isso que eu mais gosto nos livros desta categoria. Mas ainda assim, no momento em que eu percebo que fui manipulada, sinto uma sensação de que fui feita de palhaça. É bom e ruim ao mesmo tempo! E é claro que isso aconteceu algumas vezes durante essa leitura.

    Eu só não li o livro mais rápido pois estava numa ressaca daquelas, mas o livro me manteve interessada no enredo do início ao fim! Não teve um momento monótono, chato ou parado. Quando eu percebi que a narradora não era lá das mais confiáveis eu comecei a duvidar de tudo. O sentimento de estar sempre alerta, preparada para qualquer coisa, faz com que a experiência de leitura seja muito intensa.

    A escrita do autor é uma delícia, a dinâmica dos acontecimentos é muito bem equilibrada e eu com certeza leria outros livros desse autor. Não é à toa que está sendo considerado o thriller favorito de todo mundo!

    Pontos positivos: narrativa muito envolvente, enrendo nada previsível, personagens muito bem construídos.
    Pontos negativos: quem não tolera violência de jeito nenhum pode não gostar desse livro.

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    Resenha: O Outro Lado da Bola

    Livro: O Outro Lado da Bola
    Autores: Alvaro Campos, ALê Braga e Jean Diaz
    Editora: Record
    Rating: [rating=3]
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    Sinopse

    Ao se declarar homossexual em um programa de TV depois do assassinato — brutal e com motivações homofóbicas — de um ex-namorado, Cris, jogador de futebol e ídolo de uma nação de torcedores fanáticos, vê sua vida pessoal e sua carreira saírem completamente de controle. Tem então de enfrentar a reação da diretoria e dos colegas de clube, a hesitação dos patrocinadores, a rejeição de grande parte da torcida e a crise familiar que se desencadeia a partir de sua declaração.
    A história de Cris é uma ficção, mas poderia acontecer de alguma forma, com o ídolo do seu time e talvez de uma seleção inesquecível. É aí que reside a força da narrativa de “O outro lado da bola”, de Alvaro Campos e Alê Braga, com ilustrações de Jean Diaz. Em ano de Copa do Mundo, é difícil virar cada página sem pensar: esse é o mundo em que ainda vivemos. Mas o relógio está correndo, e ainda dá para virar esse jogo. O futebol, afinal, é sempre o melhor pretexto para se discutir as coisas da vida.


    Capa & Diagramação

    Apesar de adorar a capa achei que ela não faz uma correspondência boa com o conteúdo da graphic novel. A capa mostra uma foto e o interior do livro é em desenho. Acredito que isso pode confundir o leitor ou criar expectativas erradas. O estilo do traço do quadrinho é duro, cru e tem muitos detalhes.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    Eu sou dessas que ama futebol na época da Copa do Mundo mas não suporta futebol no resto do tempo. Acho que tudo isso tem pouco a ver com o esporte em si e mais a ver com como as pessoas aqui no Brasil encaram o assunto. Mas isso é conversa pra outra hora.

    A premissa dessa graphic novel me chamou muita atenção e me deixou muito ansiosa para saber como os autores tratariam desse assunto. Não acreditava que alguém finalmente tinha resolvido falar disso e achei que uma graphic novel era uma ótima abordagem!

    Acredito que a escolha da abordagem foi muito certa pois a graphic novel tem aquele clima mais duro, cru, ríspido e agressivo que me pareceu muito cabível para atingir o público masculino que acaba sendo, em sua maioria, amante de futebol. O estilo da graphic novel se assemelha bastante com alguns quadrinhos de super-heróis.

    Eu sinceramente acho que muito do comportamento machista nesse esporte é simplesmente reproduzido sem questionamentos e sem muita maldade. Nesse caso, conversar com esse público é extremamente benéfico e o maior trunfo dessa graphic novel.

    Por mais que eu imaginasse um cenário bem complicado caso algum ídolo do futebol revelasse sua homossexualidade eu não tinha noção do caos que isso poderia gerar. Isso vem muito do meu desconhecimento de tudo que essa grande indústria envolve nos dias de hoje. Eu pensava sempre na relação do jogador, mídia, torcedor mas o livro expande o assunto para a torcida organizada, a política, os dirigentes do clube, os patrocinadores, os advogados e até mesmo como isso afetou a família e os amigos do jogador em questão.

    “A ideia é mostrar um lado do esporte que existe de fato. E que reflete muito uma realidade do país que acreditamos que precisa mudar. Onde a impunidade sempre existiu, e a paixão pelo futebol sempre a mascarou.” – Alê Braga e Alvaro Campos

    O Outro Lado da Bola acaba abordando muito mais que futebol e a quantidade de assuntos abarcados é enorme. Isso faz com que a graphic novel seja intensa durante toda a leitura. Apesar de não ser o meu tipo de graphic novel (pelo excesso de agressividade e outros fatores) acredito que O Outro Lado da Bola cumpriu muito bem seu papel de introduzir esse assunto na literatura e para que possamos pensar e discutir mais sobre isso e para que possamos estar cada vez mais próximos de tornar o futebol um esporte mais livre e respeitoso. Não podemos continuar impedindo as pessoas de serem felizes, de ser quem são, não importa sua profissão, posição, cargo ou status.

    Pontos positivos: assunto abordado e todas as derivações que o tema principal traz.
    Pontos negativos: agressividade desnecessária.

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    Resenha: A Duquesa Feia

    Livro: A Duquesa Feia
    Autora: Eloisa James
    Editora: Arqueiro
    Rating: [rating=3]
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    Sinopse

    Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia?
    Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado.

    Ainda assim, os tablóides dizem que a união não durará mais do que seis meses.

    Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote.
    E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação.
    Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.


    Capa & Diagramação

    Adoro quando as capas focam em um elemento só e gostei muito da combinação de cores dessa. Na verdade todas as capas dessa série são lindas! A diagramação interna é limpa e proporciona uma leitura confortável.

    Personagens, Enredo & Impressões gerais

    As tramas de amor, aparências e dinheiro rendem muitas histórias! E nós amamos ler todas elas! Eloisa James apostou nessa trama com os ingredientes certos e encantou os leitores novamente com A Duquesa Feia.

    O livro em questão é o quarto volume da série Contos de Fadas. Não é necessário que você leia todos da série ou siga alguma sequência determinada. Os livros são independentes entre si e são um prato cheio para quem gosta de romances épicos. A série traz releituras dos contos de fada e A Duquesa Feia é a releitura de O Patinho Feio. Não era meu conto favorito mas ficou muito bom na interpretação de Eloisa James.

    Ao ler o título do livro eu já imaginei que a autora ia ser super ousada e criaria uma personagem parecida com as irmãs “esquisitas” da Cinderela. Acho que acabei misturando os contos de fada todos nessa minha mania de não ler as sinopses. Porém, ao ler a sinopse vi que não era nada disso e me pareceu ser aquelas histórias de transformação que a gente ama ler. Bingo!

    Theodora é uma personagem forte e inspiradora. A melhor característica dela é não dar tanta ênfase para o opinião que todos têm dela. Ela sabe que não é a mulher mais bela de todas e sabe que suas características não se encaixam no padrão de beleza da sociedade. Sabe também que se ela se esforçar ela pode melhorar isso. James é um mocinho vítima da ganância de sua família e que pode quase causar raiva no leitor mas que é cativante demais para isso.

    “Nas semanas e nos anos seguintes, quando olhasse para trás, ela identificaria aquele instante como o momento exato em que seu coração se partiu em dois. O momento que separou Daisy de Theo, o tempo antes e o tempo sepois. No tempo antes, ela tinha fé. Tinha amor. No tempo depois… teve a verdade.”

    A amizade entre James e Theo, que foram criados na mesma casa, também é um ponto forte do livro. Além de todas as empreitadas de romance e discórdia propostos pela autora, a base da relação dos dois é amizade, companheirismo e cumplicidade. Como eu acredito que isso é de extrema importância na “vida real”, esse foi um dos aspectos que me cativou durante a leitura.

    Alguns aspectos, contudo, me incomodaram. Algumas soluções propostas pela autora foram muito simples e aconteceram de forma muito rápida. Me pareceu que muita energia foi gasta em alguns pontos da história enquanto outros aconteceram de forma apressada.

    Os toques de humor, a sagacidade dos diálogos e a mensagem geral abordada pelo livro são os grandes trunfos de Eloisa James nessa obra. Ela não sai muito da zona de conforto desse gênero literário mas não tem erro se você gosta de um romance épico tradicional. Se joga!

    Pontos positivos: leitura leve e gostosa que corre rapidamente.
    Pontos negativos: segue a fórmula dos romances épicos atuais.