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Resenha: Terra das Mulheres

Livro: Terra das Mulheres
Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: Rosa dos Tempos
Rating: [rating=5]
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+ Exemplar cedido pela editora para resenha


Sinopse

Publicado pela primeira vez em 1915, Terra das mulheres mostra como seria uma sociedade utópica composta unicamente por mulheres.
Antes do leitor encontrar a suposta maravilha dessa utopia, terá de acompanhar três exploradores — Van, o narrador; o doce Jeff; e Terry, o machão — e suas considerações e devaneios sobre o país, no qual, os três têm a certeza de que também existem homens, ainda que isolados e convocados apenas para fins de reprodução. Um país só de mulheres, segundo os três, seria caótico, selvagem, subdesenvolvido, inviável.
Uma vez lá, Van, Jeff e Terry se dividem entre a curiosidade de exploradores com fins científicos e o impulso dominador de um homem, oscilando entre tentar entender mais sobre aquela utópica e desconhecida sociedade e o sonho de um harém repleto de mulheres que talvez estejam dispostas a satisfazê-los e servi-los.


Capa & Diagramação

Adoro essa capa que faz uma adaptação de uma obra de Gustav Klimt. Gosto da repetição, da uniformidade das imagens e das cores. pois reflete muito do conteúdo do livro. A diagramação interna proporciona uma leitura bem confortável e traz um formato diferente de abertura de capítulo. O número e o título do capítulo sempre vêm isolados na página da esquerda. Gostei muito desse arranjo fora do padrão que se tornado uma constante nos títulos da Rosa dos Tempos.

Personagens, Enredo & Impressões gerais

O livro foi publicado em 1915 e, segundo reza a lenda, serviu de inspiração para o universo da Mulher Maravilha. Eu devorei o livro assim que o tive em mãos porém demorei horrores para escrever a resenha porque tenho uma enorme dificuldade de escrever sobre livros que gosto muito.

Além de ter uma escrita super gostosa, que passa voando, a obra traz questionamento após questionamento sobre a nossa sociedade e sobre o papel dos gêneros nela. O livro foi escrito há mais de anos mas parece que foi escrito ontem! A escrita é muito acessível e a obra é relativamente curta.

“Toda a devoção e renúncia que nossas mulheres dedicavam às suas famílias em particular, essas mulheres ofereciam ao seu país e à sua raça. Toda a lealdade e o trabalho que os homens esperavam de suas esposas, elas ofereciam, não apenas a homens, mas coletivamente umas às outras.”

Criando três estereótipos diferentes de homens que chegam a Terra das Mulheres, Charlotte Perkins Gilman consegue fazer emergir, de maneira clara e direta, vários questionamentos sobre a nossa própria sociedade. Terry é o galanteador garanhão e acredita que os homens dominam as mulheres, Jeff as idealiza como seres puros e angelicais e Van, o narrador, fica no meio-termo entre os dois. Ele tem uma visão mais crítica e ponderada.

Os questionamentos trazidos pelo contato dos três com a nova terra dizem respeito à violência, organização estrutural da sociedade, hábitos, ao papel de cada pessoa na sociedade e etc. É muito conteúdo despejado de uma maneira simples e sem soar como crítica excessiva ou agressiva.

Ao decorrer da história os homens vão revelando (de modo comedido e envergonhado) como funciona a sociedade deles e as mulheres contam como é o funcionamento da terra delas. São como aliens ou crianças entrando em contato com convenções sociais e as questionando.

“A tradição de homens como guardiões e protetores tinha desaparecido. Essas vigorosas virgens não tinham nenhum homem a quem temer, portanto não precisavam de proteção.”

Acredito que estamos em um momento perfeito para conversar sobre esse livro, pois muito tem se falado sobre o papel da mulher na sociedade e o livro extrapola um pouco essa questão (pois não dá para separar uma coisa da outra) para conversar sobre como nossa sociedade foi moldada pela patriarcado. Esse tema traz uma ramificação enorme de discussões e, a que eu mais gostei abordada pela autora, foi a questão da violência.

É um livro que eu pretendo reler em breve (eu queria marcar o livro inteiro e deixei algumas coisas passarem) e espero que, com o seu relançamento, mais e mais pessoas falem sobre ele e sobre os milhares de temas que borbulham de dentro da obra. Foi, sem dúvida, uma das melhores leituras do ano.

Pontos positivos: leitura rápida, escrita simples, tema relevante que abre espaço para muita discussão e reflexão.
Pontos negativos: se você não simpatiza com o feminismo não vai curtir esse livro.

Gosto de cartões postais, livros e tenho um amor infinito por animais. Pretendo conhecer toda a Europa em breve e, às vezes, gosto de me aventurar na cozinha.

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