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Resenha: Querido Mundo

Livro: Querido Mundo
Autora: Bana Alabed
Editora: Best Seller
Rating: [rating=5]
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+ Exemplar cedido pela editora para resenha


Sinopse

O relato surpreendente de uma menina síria em meio aos horrores da guerra. Aos 3 anos de idade, Bana Alabed tinha uma infância feliz que foi interrompida abruptamente por uma guerra civil. Durante os quatro anos seguintes, Bana viveu em meio a bombardeios, destruição e medo.

Sua provação angustiante culminou em um cerco brutal em que ela, seus pais e os dois irmãos mais novos ficaram presos em Aleppo, com pouco acesso a comida, água, medicamentos e outras necessidades básicas. Com o potencial revolucionário da Internet, Bana, em um gesto simples, mas inédito, usou o Twitterpara pedir paz e mobilizar pessoas ao redor do mundo pelo mesmo intuito.

Contendo palavras da própria Bana e cartas comoventes de sua mãe, Fatemah, Querido Mundo não é apenas um relato envolvente de uma família ameaçada pela guerra — o livro oferece, também, uma perspectiva única sobre uma das maiores crises humanitárias da história, vista pelos olhos de uma criança. Bana perdeu sua melhor amiga, a escola onde estudava e seu lar. Mas não perdeu a esperança — com relação a si mesma e às outras crianças ao redor do mundo, vítimas e refugiadas de guerra que são dignas de vidas melhores.


Capa & Diagramação

A foto, a ilustração e as cores da capa não me chamam atenção. O que me chama atenção é o comentário da J.K. Rowling que está estrategicamente em destaque. O formato do livro é menor que o padrão e a diagramação interna torna a leitura bem confortável.

Personagens, Enredo & Impressões gerais

Os leitores de Querido Mundo podem sentir, por meio dos relatos de uma criança de 8 anos, como era viver num dos pontos mais bombardeados da Síria. Eu não conhecia Bana Alabed mas descobri que ela ficou famosa por usar sua conta no Twitter para contar algumas das coisas que ela e sua família viviam em Aleppo e para pedir paz e apoio.

A grande cobertura dada pela mídia aos bombardeios em Aleppo não mostrou nem metade dos horrores vividos na cidade. Depois de ler mais da metade do livro pesquisei como a cidade está hoje e como era antes da destruição e as imagens são incríveis. Alepo era uma cidade bonita e ativa como qualquer outro lugar.

Porém nada me preparou para as fotos que ela postou no Twitter. Vi as fotos porque quis mas digo que são muito fortes e nem todos deveriam vê-las. As fotos mostram crianças mortas e mutiladas após bombardeios. A realidade nua e crua, como nenhum veicula da mídia mostra. Imagens dignas do período do Holocausto.

“Não há uma boa razão para a guerra. Não é certo que tantas pessoas e crianças morram. Porque depois que todo mundo tiver morrido, o que vai acontecer? O que vai ser diferente?”

Os conflitos na Síria são sempre um assunto complicado para mim. Eu sei que por trás dos bombardeios existem disputas territoriais disfarçadas de disputas religiosas. Já li algumas coisas e assisti a alguns documentários porém a distância cultural torna o ato de entender e, principalmente, de compreender e me identificar com as motivações e razões dos envolvidos bem difícil.

Quando eu digo compreender e me identificar com as razões das pessoas que participam do conflito, digo que obviamente não entendo os extremistas que estão dispostos a acabar com sua própria cidade e cultura, com quem financia os ataques e coloca o dinheiro acima de vidas humanas e com quem escolhe permanecer na cidade tomado por um amor e patriotismo que eu ainda não conheço.

Em vários momentos do livro Bana dá a entender que sua família optou por permanecer em Aleppo. Alguns de seus parentes optaram por fugir e conseguiram. Até mesmo sua família passou um tempo na Turquia, porém preferiram voltar. A fé e o amor que eles tinham por Aleppo é algo incompreensível para mim.

Os relatos de Bana são simples e nos fazem entender um pouco como era o dia a dia de uma família vivendo em Aleppo durante o período de bombardeios. Acredito que pela simplicidade, os relatos deixam vários espaços para questionamentos mas também acabam por suavizar a experiência de leitura para o resto do mundo.

Após a leitura do livro fui pesquisar mais sobre a menina e vi várias matérias e textos que afirmavam que seu pai tinha ligação com os terroristas. Preferi não me aprofundar no assunto mas creio que isso acabou por afetar (não sei se positivamente ou negativamente) o lançamento de seu livro.

Aconselho a leitura a todos que querem saber da verdade, sem ignorar os fatos que aconteceram e acontecem. O mundo tem que ver e estar ciente do que aconteceu para que mais pessoas possam lutar contra os conflitos.

Pontos positivos: linguagem simples, leitura rápida e muito informativa. Ela consegue narrar os horrores da guerra de forma suave e não agressiva.
Pontos negativos: a simplicidade da linguagem de criança me deixou curiosa em relação a aspectos da vida deles que ela não abordou no livro.

Gosto de cartões postais, livros e tenho um amor infinito por animais. Pretendo conhecer toda a Europa em breve e, às vezes, gosto de me aventurar na cozinha.

One Comment

  • Camila FariaNo Gravatar

    Oi Evelyn! A Guerra Civil da Síria vem rolando desde 2011, sem perspectiva de uma resolução… surreal demais. É uma situação tão complexa, que fica mesmo muito difícil de entender totalmente o conflito, por mais que a gente estude e busque informações. Gostei do livro. Não conhecia a Bana Alabed e gostaria de saber mais sobre ela e a sua família. Vou dar uma olhada com calma!

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